A Casa Torta

15/05/2007 17:18

Tendo dito

Hoje percebo que erro para que isso venha contribuir milionariamente aos meus acertos. Hoje percebo que “meu” não existe mais pra mim.
Percebo que digo muito mais “mim” do que “eu”...e que talvez isso venha (incertamente) de um certo desprendimento comigo mesma. Que venha! Um simples desapego ao ego e aos ismos. Puríssima traição a natureza humana, confesso.
Hoje percebo que nada do que me foi proposto quero.
Percebo que surge é daqui de dentro uma única e individual verdade. Coletiva desde a raiz! Rumo ao sol...
Percebo que minha vaidade só destrói...e devora sem sentido tudo o que sinto sem culpa por sentir. Já houve culpa demais. Agora quero o gozar surdo, mudo e cego. Sensitivo e só.
Quero o pó de todas as queimadas. O farfalhar das folhas. O suspiro das madrugadas.
Façam seus testes científicos. Certifiquem-se de que o que inventam já não foi inventado. Satisfação em ser mais um nome nos classificados...mais um nome em um esnobe arranha-céu...mais um nome bordado no bolso de um macacão azul...números de gado! Fichas, catálogos, mercados, raças e muita, muita selvageria. Bah!
Mais um domingo comendo macarrão. Costumes bestas de quem já se acostumou. Quero isso. Mas quero mais.
Hoje percebo que quero mais. Quero provar-degustar-sangrar e não cair na mecânica repetição do dia-a-dia rotineiro e seguro.
Quero o mar ainda mais salgado para que meus olhos ardam. O dia mais quente para que possamos andar pelados. A noite mais escura para que a beleza do prata venha de nossos olhos, iluminando.
Hoje percebo meu sangue dançando das veias...
Hoje percebo que “meu” não existe mais pra mim.
E tendo dito...é o fim.

enviada por Dama Morrigan






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